É digno ter uma boa casa, um bom carro, um trabalho decente. Houve alturas em que me senti perdida. Cortam-nos as asas e perde-se a paciência quando nos temos de decidir.
Passaram-se meses, algumas Primaveras e o instinto continua a puxar-me para lá.
Porque hoje? Talvez por ter percebido que devo dar graças a Deus por uma única razão, estou viva, sou amada por uma criança linda, por um homem que me dá tudo o que se pode querer, embora que perante algumas aspas, por pai e por mãe, que resistiram a tudo e estão cá de pedra e cal. Sei que se pode pedir tudo, sei que fechamos os olhos e desejamos tudo, mas temos na realidade a sombra de um embaraço quando comparamos o desejo com o que conseguimos.
A vida é a Pimenta. Porque nos damos nós aos outros. Olhamos em redor e vemos alminhas que promovem factores para que se ajude sempre os outros. Estranhamente encaramos tudo com a maior das naturalidades, mas não deveria ser assim. Um dia temos muitos ao lado, no outro descobrimos que os nossos melhores amigos são os que não estão a espera da resposta á questão, "como estas?".
Querendo ou não, somos os nossos professores, num processo de permanente mestrado. Não digo que seja mau, mas também não é excelente.
Eu, tendo aprendido o lugar exacto do Sal e da Pimenta, ainda tenho medo, mas mesmo que o fantasma me acorrente ao passado, vivo pelo futuro e devia escrever um apontamento para recordar uma só coisa, o sangue ainda corre nas veias.
Dramática? Não. Realista. O drama nao nós dá o temos em falta.
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